Ganhei um livro de uma mãe de um aluno e não havia lido por falta de tempo e por estar envolvida em projetos que exigiam outro foco. Agora fui convidada a ministrar uma palestra na Escola Romanha e comecei a lê-lo. Seu título é “Pais e Educadores de Alta Performance” do Içami Tiba. Porém o foco de minha inspiração hoje não é o livro propriamente dito.
Em um trecho do livro, ainda na introdução Içami Tiba faz uma comparação entre passo além e marcar passo. Ele cita que no Brasil há 40 milhões de analfabetos funcionais e destes, somente 14 milhões não freqüentaram a escola. Os que freqüentaram a escola e não se desenvolveram “Marcaram Passos”, ou seja, freqüentaram a escola, mas não aprenderam, seja por falta de interesse ou por professores despreparados, enfim, apenas freqüentaram.
Diante disso resolvi chamar a atenção de pais, professores e todos aqueles que convivem com pessoas em desenvolvimento.
“Ano novo, vida nova” é o que muitos dizem. Pois meu apelo é para que realmente possamos ter um NOVO OLHAR nesse ano que está iniciando e que possamos dar um PASSO ALÉM dentro da nossa própria jornada, seja enquanto pais, seja como professores, e que daqui para frente não desperdicemos nosso tempo e principalmente o dos outros “MARCANDO PASSOS” numa sala de aula onde a rotina e o desanimo tomou conta; em casa onde cansados e sem paciência cumprimos nossas obrigações e muitas vezes não notamos que alguém nos pede atenção.
Costumamos escutar pessoas se lamentando, dizendo que não agüentam mais, que não foi isso que pediu a Deus, que estão muito saturadas, precisando de férias do trabalho, de férias dos filhos, de férias de tudo. O questionamento que faço é: o que estas pessoas estão fazendo para mudar essa situação? Quais estratégias estão buscando para melhorar? Será que eu, você e todos os seres humanos realmente param para traçar um plano daquilo que querem das suas vidas? Será que temos a ousadia de dar um PASSO ALÉM em nosso próprio destino? Ou será que é muito cômodo continuar “MARCANDO PASSOS”?
Acredito que tudo o que uma pessoa faz, ela deveria ter em mente algumas perguntas. Primeira: o que estou fazendo é necessário? Segunda: o que estou fazendo, irá ser bom para mim? Terceira: o que estou fazendo irá beneficiar alguém? Se duas das perguntas tiverem como resposta o NÂO, então deveríamos refletir e buscar outros meios, outras formas ou simplesmente não fazer.
Isso é valido em todos os aspectos da vida, em todas as profissões, mas vou dar um exemplo em sala de aula. Uma professora está diante de um “aluno problema”. O que ela muitas vezes terá em mente? Muitas irão pensar: o que fiz para merecer isso?
Com esse “problema”, entram em sala de aula, enchem a lousa com tarefas sem sentido, muitas vezes nem explicam o que estão pedindo dos alunos, e começam uma sessão de cobrança que não fará bem nem para ela, nem para o “aluno problema”, nem para os demais alunos.
Se antes de ela entrar na sala ela tivesse refletido: “a tarefa que vou aplicar hoje e a didática da minha aula é necessária, irá ser bom para mim ou irá beneficiar alguém?” com certeza ela buscaria uma outra forma de agir, pois perceberia que tal atitude não iria satisfazer nem a ela própria.
Outro exemplo: a mãe trabalhou o dia todo, passou na escola, pegou seus filhos, chegou a casa começou a preparar a janta e pediu para que seus filhos pegassem a agenda da escola para verificar se havia bilhetes da professora. Em um de seus filhos estava tudo ok, no outro, havia um bilhete pedindo para que ela terminasse a tarefa com seu filho em casa, pois ele não havia conseguido terminar na escola.
A mãe se estressa e coloca seu filho para sentar aos berros, chamando-o de inútil, diz que está de castigo e não poderá brincar, nem ver TV por um mês. Força-o a fazer a tarefa, mas não lhe da muita atenção, pra ser sincera, nem verificou qual é a lição. Quer se ver livre logo desse peso.
Se ela tivesse respirado e feito as três perguntinhas poderia ter agido de outra forma. Essa mãe nem sequer percebeu que o bilhete da professora não era uma crítica, nem se deu a oportunidade de imaginar que talvez seu filho não tivesse terminado a tarefa, pois estava envolvido em outra lição, tentando entender outro exercício que para ele era mais difícil e que talvez tivesse conseguido superar um desafio.
Os exemplos são fictícios, mas tenho certeza que muitas pessoas se identificaram. Não estou querendo dizer que tudo é fácil, ou que não há motivos para preocupação. Mas a mensagem que quero passar é referente as nossas atitudes. Se existe um problema, cabe buscar uma solução. Buscar a solução é dar um PASSO ALÉM, agir sem pensar é continuar MARCANDO PASSOS.
MARCAR PASSOS é ruim para todos. Por isso em 2012 vamos buscar dar vários PASSOS ALÉM. Vamos entender o que se passa com os “alunos problema”, vamos conversar com ele, com os pais, com a equipe escolar, encaminhar para avaliações, mudar as estratégias. Vamos buscar entender o que se passou com nossos filhos, manter um dialogo com a professora, ser firme em nossas atitudes, mas sem humilhá-los, buscar ajudá-los ao invés de só criticá-los.
Desejo a todos muito sucesso e que possam dar muitos PASSOS ALÉM.
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